Única fábrica de latas de alumínio no Brasil, a Latasa vai começar a construir em outubro uma primeira unidade na Argentina, para produzir entre 500 milhões e 600 milhões de latas por ano. Mas os planos de expansão da empresa não param aí. Depois de dobrar a capacidade de sua fábrica em Pouso Alegre (MG), que será inaugurada em dois meses, vai construir uma outra, provavelmente no Rio de Janeiro, para entrar em funcionamento em 1994. Na Argentina o investimento será de US$45 milhões. A outra fábrica brasileira terá investimentos de US$50 milhões. A Latasa faturou no ano passado US$100 milhões, e espera fechar 1992 com um faturamento de US$121 milhões. Para a fábrica argentina, que será instalada na Grande Buenos Aires, todos os detalhes estão prontos. A Latasa, uma sociedade composta por 35% da Reynolds Internacional do Brasil, 35% do Bradesco e 30% do Credibanco, está em fase final de escolha de um sócio local entre dois bancos e uma indústria. Hoje, o país consome entre 80 e 100 milhões de latas de alumínio, todas importadas, algumas até mesmo da Latasa brasileira. Segundo o diretor-presidente da Latasa, Deoclécio Pignataro, "já no primeiro momento de produção, entre um ano e 15 meses depois de iniciada a obra, o preço da lata argentina, por questões de preços da matéria-prima e carga tributária, será mais barato do que a lata brasileira", mesmo sem revelar o preço do milheiro. Hoje, os argentinos pagam US$126 por mil latas importadas. Para Pignataro, no primeiro ano, a produção da fábrica estará entre 400 e 450 milhões de latas. Quanto ao MERCOSUL estiver implantado, em 1995, a fábrica argentina estará apta para exportar a mercados menores da América do Sul, como Uruguai, Paraguai e Chile, enquanto o Brasil deve ficar apenas com a Bolívia. A intenção da Latasa, cujo nome na Argentina ainda não está definido, é chegar a 4% ou 5% do mercado total de bebidas (cerveja e refrigerante) argentino. No Brasil, as latas representam menos de 2% do consumo de bebidas. Os principais clientes da Latasa argentina serão, além da Coca-Cola, a Pepsi-Cola, a cerveja Quilmes e a Quaker, fabricantes do Gatorade (GM).