OS SALÁRIOS DOS MÉDICOS NO RIO DE JANEIRO

Apontada como uma das causas do colapso dos serviços de emergência, a remuneração dos médicos da rede pública do Estado do Rio de Janeiro só não é menor que a do Nordeste. De acordo com a Federação Nacional dos Médicos, a Secretaria de Saúde do estado paga menos ao médico em início de carreira do que muitas prefeituras do país. A deterioração dos salários, segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, Mauro Brandão, está aumentando o êxodo da categoria e trazendo perdas para a medicina no estado. Hoje, o salário base de um médico recém-formado pelo estado é de Cr$642,2 mil. Mas mesmo o maior salário, de Cr$802,7 mil é inferior ao piso das prefeituras de Angra dos Reis (Cr$2,1 milhões), de Campos (Cr$1,3 milhão) e do Rio (Cr$1,1 milhão). De acordo com a Federação, os médicos do estado ganham menos que os de Anápolis (GO), Cr$900 mil em junho; que os de Vitória (ES), Cr$1,4 milhão; ou Juiz de Fora (MG), Cr$1 milhão. Em Porto Alegre (RS), o salário era de Cr$824,3 mil, e em Santa Maria (RS), Cr$1,3 milhão. Em São Paulo, os salários triplicam. Em junho, a capital pavava Cr$2,057 milhões e Campinas, Cr$1,4 milhão. Hoje, o menor salário do INAMPS é de Cr$829,1 mil-- menos que o piso do Rio. A perda salarial modificou a relação entre médicos das redes pública e particular do Rio. Estes, que sempre ganharam menos, conseguiram reajuste de 961,92%, em acordo com o Sindicato dos Hospitais e Clínicas. Este mês, o menor salário, por 24 horas semanais, será de Cr$1,1 milhão-- Cr$1,6 milhão em setembro (O Globo).