Os investimentos das empresas estatais registraram nos dois primeiros bimestres deste ano considerável retração em relação aos números previstos no Orçamento de Investimentos das Empresas Estatais. Para este ano, as companhias deveriam aplicar um total de US$10 bilhões, ante US$8 bilhões efetivamente gastos em 1991. Até abril havia investido US$2,5 bilhões. Nos dois primeiros bimestres, os valores dos investimentos ficaram, portanto, abaixo do estimado para o período, que deveria ter sido de US$3,3 bilhões. Projetando-se os números obtidos até abril, as empresas terão aplicado somente US$7,5 bilhões até o final do ano, de acordo com cálculos do Instituto de Economia do Setor Público (IESP). "Tradicionalmente, o governo segura as despesas no primeiro semestre e as solta um pouco no segundo", explica Fernando de Arruda Sampaio, editor do boletim IESP. O Instituto também apurou uma elevação no peso dos recursos próprios nos investimentos das estatais, que ante uma previsão de 67% para este ano atingiu 82% no primeiro bimestre e 83% no segundo. Também a captação de recursos externos cresceu no período, devendo atingir 12% do total de recursos este ano. A PETROBRÁS é quem lidera o orçamento de investimentos das estatais, com US$3,5 bilhões estimados para este ano, ante US$2,3 bilhões no ano passado, segunda da TELEBRÁS, com US$2,5 bilhões, com queda de 13% em relação a 1991. Já a maior variação, por bimestre, corresponde às aplicações da RFFSA, que no período de março a abril deste ano aplicou 433% a mais do que no mesmo bimestre do ano passado. Levando-se em consideração todo um ano, entretanto, a maior variação deverá ficar com o setor siderúrgico. Na soma das empresas estatais, o crescimento no volume de aplicações deverá ficar em 24% em relação a 1991, depois de terem crescido 33% em 1991 comparado com 1990 (GM).