O deputado Herbert Levy (PSC-SP) abriu, ontem, um arquivo e retirou, de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de 1963, provas do envolvimento do consultor-geral da República, Saulo Ramos, em uma fraude financeira, envolvendo o Instituto Brasileiro do Café (IBC). O consultor foi condenado pela Justiça em três processos: um envolvendo a apropriação indébita de US$23 milhões do Banco do Brasil, em 1965; outro por injúria, calúnia e difamação contra Levy; e um terceiro, no qual foi obrigado a indenizar em 60 salários-mínimos o parlamentar, por danos morais. A história envolvendo Saulo Ramos com a fraude contra o Instituto Brasileiro do Café (IBC) e, depois, contra o Banco do Brasil começa em 1961 quando o então presidente Jânio Quadros nomeou Saulo-- um jornalista do "Tribunal de Santos"-- ministro extraordinário do café. No ministério, Saulo indicou a Comercial Paulista de Café (COMAL)-- "uma empresa pequena e sem infraestrutura"-- como representante do IBC no Estado do Paraná. A empresa, nesta época, 1961, adquiriu 5 milhões e 600 mil sacas do produto para repassá-las, 60 dias depois, ao IBC. Este repasse, segundo apurou a CPI aberta em 1963-- e da qual o deputado Levy, então presidente nacional da UDN, foi relator--, nunca foi feito e, com o dinheiro, a COMAL comprou a Companhia Aérea Panair do Brasil e a TV Excelsior. A CPI levantou também que, logo após a renúncia de Jânio Quadros, o ministro do café, Saulo Ramos, assumiu uma diretoria da COMAL. Com a abertura da CPI, pressionada pelo IBC, a Comercial Paulista de Café foi restituindo, aos poucos, a sacas do produto ao governo. Segundo contou Herbert Levy, quando faltava devolver 1 milhão e 200 mil sacas, o governo do presidente João Goulart, através do ministro da Fazenda, Carvalho Pinto, permitiu que a COMAL exportasse 500 mil sacas de café, no valor de US$23 milhões, com crédito de 60 dias. O café foi exportado, a empresa embolsou o dinheiro e o diretor de câmbio do Banco do Brasil, Eleutério Proença de Gouvea, acusado da fraude se suicidou (JB).