No âmbito do MERCOSUL o setor eletroeletrônico é um dos que tem encontrado dificuldades para equilibrar as regras do jogo e formar um mercado livre. Definir critérios para as zonas francas, por exemplo, que no caso da Argentina e do Brasil são produtoras de grande parte dos eletroeletrônicos e em outros casos apenas áreas de livre comércio, é um dos desafios dos representantes desse setor. As diferenças entre Brasil e Argentina tembám são grandes. A política industrial brasileira determina um nível de nacionalização e o Código de Defesa do Consumidor resguarda a obediência às normas técnicas que são totalmente diferentes no caso da Argentina. "Lá eles praticamente compra kits e montam", informou o vice-presidente da ABINEE, Eduardo Magalhães. Na sua opinião, os empresários brasileiros não estão dando a devida atenção ao MERCOSUL pois terão um crescimento de mercado de apenas 20% enquanto os argentinos, vislumbrando um mercado muito maior do que o seu, esforçam-se para ser mais competitivos, negociando regras que os beneficiem. Ele salientou por exemplo que, a importação de televisores da Argentina pelo Brasil é feita com alíquota zero enquanto que a Argentina impõe uma alíquota de 28% na compra de produtos brasileiros. Na verdade, enquanto o Brasil trabalha com a redução das alíquotas de importação o mercado argentino é protegido pela lista de exceções onde constam praticamente todos os eletrônicos. Hoje, a Argentina é um mercado atrativo para o Brasil. Para se ter uma idéia as vendas de televisores saltaram de 350 mil unidades em 1990 para 650 mil unidades em 1991 e estima-se um mercado de 1,1 milhão de unidades para este ano. Quase a metade do mercado brasileiro, informou Magalhães (GM).