ARGENTINOS RECLAMAM DE IMPORTAÇÕES

Os dirigentes da União Industrial Argentina (UIA) marcaram encontro para hoje com o ministro da Economia, Domingo Cavallo, para tratar da avalanche de importações brasileiras. Os industriais vão levar ao ministro duas propostas para compensar a disparidade cambial provocada pelo dólar alto no Brasil e barato na Argentina, o que, somando à recessão brasileira e à vizinhança dos dois países, vem ocasionando a entrada massiva de produtos. Uma das propostas é a criação de um mecanismo que fixe automaticamente um direito tarifário compensatório contra os desvios cambiais. Os industriais argentinos pensam em estabelecer a relação histórica entre o cruzeiro e o peso tomando como base uma série de 10 anos. Em relação média teria uma faixa de oscilação tolerada entre 5% e 10% para cima e para baixo e, uma vez ultrapassada, detonaria a aplicação do direito tarifário igual ao desvio da faixa. No último dia 21, Cavallo reagiu de maneira dura às reclamações dos empresários argentinos. As próprias queixas dos empresários sobre os resultados da avalanche brasileira no saldo da balança comercial foram minimizadas pelo ministro. "Nos últimos anos, a Argentina teve superávit", comentou o ministro, por certo lembrando de que não se ouviam iguais protestos quando os pratos da balança pendiam em sentido contrário. O secretário de Indústria e Comércio Exterior, Juan Schiaretti, a quem caberia tomar providências contra "dumping" e outras práticas desleais de comércio também não parece impressionado pela campanha da indústria. Não vacilarei em aplicar a lei contra dumping e contra produtos
49866 subsidiados. Mas até agora minha secretária não foi procurada com provas
49866 de que essas infrações estejam sendo cometidas generalizadamente pelos
49866 brasileiros, disse Schiaretti, que, no início do governo Carlos Menem, foi o principal negociador argentino da formação do mercado comum e da hoje criticada "tablita" de redução gradual e automática de tarifas. No primeiro semestre deste ano, as vendas brasileiras totalizaram US$1,26 bilhão, com superávit favorável ao Brasil de US$602 milhões. As estimativas da UIA são de que, em 1992, o superávit brasileiro no intercâmbio bilateral atingirá US$1,6 bilhão (JB) (GM).