EMPRESÁRIOS ARGENTINOS PEDEM TRATAMENTO ESPECIAL PARA SETORES

O calendário que aponta o ano de 1994 como o marco de um mercado livre de tarifas alfandegárias entre os quatro países que compõem o MERCOSUL está sendo questionado pela indústria argentina. "Pode ser que o tempo acertado pelos nossos governantes para liberar totalmente o mercado seja extremamente otimista", afirmou ontem, em São Paulo, o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Israel Mahler. Ele esteve em São Paulo para reclamar com o presidente da FIESP, Mário Amato, sobre o crescimento das exportações brasileiras para o seu país. Segundo Mahler, o superávit brasileiro no comércio bilateral com a Argentina, neste ano, deve ficar em US$1,2 bilhão, um recorde na história comercial dos dois países. O presidente da UIA explicou que não é contra o MERCOSUL, mas acha que há setores "mais sensíveis" que precisam ter um tratamento diferenciado dentro dele. É o caso, disse, dos setores têxtil, siderúrgico e petroquímico. "Para esses setores, deveria-se manter alíquotas por um tempo maior, além de 1994, ou então utilizar uma política de cotas, que é outro instrumento hábil", afirmou. "Mas isso deve ser feito sempre de comum acordo entre os países". A indústria de autopeças é uma das que está puxando o surpreendente superávit brasileiro. Além dela, estão aumentando suas exportações os setores automobilístico, de máquinas, de matais, têxtil, de alimentos e de papel e celulose. Para Mahler, o protocolo de Las Len~as, assinado há cerca de dois meses pelos presidentes Fernando Collor e Carlos Menem e que deveria iniciar, em 1993, uma política para tratar das "assimetrias" nas áreas cambial, fiscal e de financiamento entre o Brasil e a Argentina deveria ser adiantado. "Devemos tratar desses problemas desde já", afirmou (GM).