A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) quer ser um livro aberto. Execrada pelos ecologistas nos anos 80 pela condução fechada e militarista da política nuclear a entidade iniciou um processo de abertura que pretende levar a imprensa e escolas para conhecer suas instalações. O programa "A escola vai à CNEN" tem resultado na visita de 50 alunos por semana às instalações da entidade. "Não temos mais nada a esconder. Não queremos ser hostis a ninguém", afirmou o presidente da CNEN, José Luís de Santana Carvalho. No Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) da CNEN, no Rio de Janeiro, o superintendente Laércio Vinhas, explicou que o sigilo em torno do programa nuclear brasileiro visava proteger a nascente tecnologia nacional de eventuais retaliações comerciais do mercado internacional. Segundo o presidente da CNEN, o sigilo terminou definitivamente no dia 24/11/90, quando o país chegou ao domínio completo da tecnologia e abriu suas 44 instalações nucleares à salvaguarda (livre acesso) da comunidade internacional. A entidade está desenvolvendo também programas exclusivamente ambientais. Segundo o coordenador de Proteção Radiológica Ambiental, José Marcos Godoy, a radiação está sendo usada para detectar a presença e a dispersão de metais pesados em meios aquáticos, como a bacia de Jacarepaguá, e para avaliar a velocidade de sedimentação da Baía de Guanabara (JB).