DINHEIRO DE COLLOR E PC FOI SACADO ANTES DO CONFISCO

A CPI descobriu que o dinheiro do presidente Fernando Collor e do empresário Paulo César Farias escapou ao confisco de cruzados novos decretado pelo Plano Collor em 16 de março de 1990. No total, foram retirados às vésperas do bloqueio US$457,2 mil (hoje, Cr$2,2 bilhões) de contas de PC e da secretária Ana Acioli, responsável pelo pagamento das despesas pessoais do presidente. Acioli fez duas movimentações em sua conta no BMC no dia 13, o último antes do feriado bancário que antecedeu o confisco de quantias superiores a NCz$50 mil. Depositou NCz$1,52 milhão (US$400 mil) e sacou NCz$2,42 milhões (US$63 mil), deixando um saldo de NCz$94,2 mil. Em uma conta no Sudameris, por exemplo, PC deixou apenas NCz$76,33 mil (US$1,99 mil) no dia 13-- 11 dias antes, tinha aplicado NCz$6 milhões (US$187 mil) no "open". As informações foram reveladas pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), da CPI. O porta-voz do governo, Etevaldo Dias, disse que Mercadante "não tem credibilidade" e que a informação "não é correta e foi dada com propósito político". O Planalto preparou documento em que afirma que Acioli limpou sua conta bancária às vésperas do Plano Collor "para pagar despesas com as festas da posse do novo governo". O relatório final da CPI conclui que o presidente Collor recebeu vultosas importâncias do esquema PC. O documento, a cuja versão, não-definitiva, este jornal teve acesso ontem, afirma taxativamente que Collor tinha conhecimento e controle dos recursos recebidos de PC. Até ontem, a CPI totalizava em US$4,5 milhões o dinheiro que beneficiou o presidente. O relatório mostra que o esquema PC financiou até mesmo a compra de móveis para a Casa da Dinda. A CPI tem ainda notas fiscais e duplicatas provando que a EPC, empresa de PC, pagou a reforma de US$164 mil no apartamento do presidente em Maceió (AL). Collor recebia dinheiro pelas contas bancárias de sua secretária particular e de familiares. A CPI não só implica Collor em crime de responsabilidade, o que abre caminho para o impeachment, como também o envolve na prática de crime comum. Além do presidente Collor, apresentado como beneficiário do esquema PC, a versão preliminar do documento incrimina ainda como membros da quadrilha Cláudio Vieira, ex-secretário particular do presidente; Ana Acioli; Rosinete Melanias e Marta Vasconcellos, secretárias de PC; e o piloto Jorge Bandeira, sócio de PC (FSP) (O Globo) (JB).