ORÇAMENTO TERÁ CORTE DE 22%

A proposta de Orçamento da União que o governo enviará ao Congresso no final do mês terá um corte de 22% em relação ao orçamento deste ano. A informação foi dada ontem, no Rio de Janeiro, pelo ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. O corte é consequência da ausência de instrumentos fiscais capazes de aumentar a receita e poderá comprometer projetos sociais de grande importância, admitiu o ministro. Marcílio reafirmou ainda que, por não dispor de novos instrumentos de política fiscal, vai manter a austeridade monetária. Diante da perspectiva da crise política inviabilizar uma ampla reforma fiscal, a equipe econômica começa a preparar, nos próximos dias, um pacote tributário a ser encaminhado ao Congresso até o final do ano. Preocupado com a lenta tramitação do projeto, o ministro da Economia nomeará comissões técnicas cuja a missão será estudar alternativas que dispensem alterações na Constituição. Para isso, o ministro assinará portaria constituindo três grupos que analisem melhorias da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e sobre Produtos Industrializados (IPI), e estude a possibilidade de criar a Contribuição sobre Transações Financeiras (CTF). A intenção de Marcílio é ter alternativas para o caso de o Congresso continuar se dedicando exclusivamente às questões políticas. Em São Paulo, o ministro Marcílio pediu o apoio do jovem empresariado ao projeto de ajuste fiscal e tributário. Numa reunião com 70 industriais da Associação dos Jovens Empresários e Executivos de São Paulo (AJEESP), ele considerou que a crise política está desviando a atenção da sociedade dos problemas econômicos. A maioria dos jovens empresários manifestou disposição de manter o apoio à política de Marcílio. A AJEESP anunciou a criação de um conselho que irá se reunir uma vez por mês com a equipe econômica. O ministro da Economia disse que não cederá às pressões para que renuncie e atribuiu "os boatos" sobre sua queda e a iminência de um novo pacote econômico a pessoas Irresponsáveis" em busca de ganhos especulativos (O ESP) (JC) (O Globo) (FSP).