BRASIL COMPRA PETRÓLEO ARGENTINO

A PETROBRÁS fechou com a empresa petrolífera argentina Astra (principal empresa privada do setor na Argentina) um contrato de compra de 12 mil barris de petróleo por dia, que em breve começarão a ser entregues na refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. A operação, que significará um desembolso brasileiro de US$87 milhões ao ano, além da associação da PETROBRÁS com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF, a estatal argentina de petróleo) para explorar a comercializar o gás natural e o petróleo da Bacia Noroeste argentina, região onde se situam 25% das reservas de hidrocarburantes do país, respondem à estratégia brasileira de suprir suas próprias necessidades e, ao mesmo tempo, fortalecer os vículos comerciais com os sócios do MERCOSUL. Segundo o presidente da PETROBRÁS, Benedito Moreira, as compras podem chegar a 30 mil barris/dia, dependendo de análises que estão sendo feitas no Centro de Pesquisas da PETROBRÁS. Nessa primeira fase, as importações têm como destino o Sul do Brasil e vão contribuir para reduzir o déficit da balança comercial entre Argentina e Brasil em US$80 milhões por ano. Segundo o ministro das Minas e Energia, Pratini de Moraes, a PETROBRÁS investirá US$30 milhões em pesquisa na Bacia Noroeste (Norte da província de Salta), e, se disso resultar a ampliação das reservas de petróleo, será estudada a construção de um oleoduto para transportar 50 mil barris/dia ao Brasil, respresentando compras diárias de US$1 milhão. A associação entre a YPF e a PETROBRÁS para explorar e comercializar as reservas de gás natural de Salta também viabilizou o projeto argentino de privatizar esta área, porque será o mercado paulista o principal destinatário do gás, com uma estimativa de consumo entre 30 e 35 milhões de metros cúbicos por dia. O gasoduto de 2.400 km que levará o gás de Campo Durán, em Salta, a São Paulo, a ser construído numa associação de capitais estatais e privados, passará por Uruguaiana, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba e seu custo está estimado em US$2,1 bilhões. O prazo de construção previsto vai de 1996 a 1998. Todo o projeto, do desenvolvimento de reservas, instalações e sistemas de produção e construção até a instalação de redes de gasodutos para distribuição no Norte argentino, Sul do Brasil e São Paulo, envolve investimentos de US$8 bilhões e seu término está previsto para o ano 2000. O gás argentino custará ao Brasil US$600 milhões por ano. O ministro Pratini de Moraes disse que, além dos acordos com Bolívia e Argentina, a PETROBRÁS já explora jazidas no Equador e-- "numa mostra de que estamos cada vez mais voltados para a América Latina"-- estuda formas de associação com as empresas estatais do México e da Venezuela. A integração da área energética no âmbito do MERCOSUL ainda não chegou ao ponto mais delicado de abertura, que é o acesso da Argentina e do Uruguai ao potencial hidrelétrico de Itaipu. Mas o ministro afirma que já se encontram adiantados os estudos para que termelétricas instaladas no Rio Grande do Sul passem a fornecer cada vez mais energia ao Uruguai, permitindo que esse país transfira mais energia à Argentina, através da hidrelétrica de Salto Grande, um empreendimento binacional sobre o rio Uruguai (O Globo) (JB) (GM).