PETRÓLEO DA ARGENTINA

O Brasil deverá importar mais petróleo da Argentina para reduzir o superávit comercial que, somente nos sete primeiros meses deste ano, atingiu cerca de US$900 milhões, informaram ontem fontes diplomáticas. O governo acredita que o déficit é consequência da política econômica argentina e não uma distorção do MERCOSUL. O governo Menen congelou o câmbio para satisfazer ao setor agropecuário e desagradou os industriais, que reclamam da perda de competividade, analisam os diplomatas brasileiros. Na tentativa de reduzir o seu superávit, o Brasil já comprou 200 mil toneladas de trigo da Argentina, o que descontentou os governadores dos três estados do Sul. Agora, quer aumentar a importação de produtos argentinos sujeitos a cotas, além de comprar petróleo. "Eles querem ter argumentos para dar à União Industrial Argentina (UIA)", comentou uma fonte do Itamaraty, referindo-se aos esforços do governo Menen para conter os protestos da entidade contra a expansão rápida das exportações brasileiras. No primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, as exportações globais brasileiras cresceram 5,57%; para os países da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), 57,5%; e para o MERCOSUL, 88,5%. Esse salto é consequência basicamente do aumento de 147,2% das exportações para a Argentina nos sete primeiros meses do ano. Na análise do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, o MERCOSUL é importante para as empresas brasileiras aumentarem a sua competitividade. O setor privado participará das decisões do MERCOSUL num fórum nacional, que terá um papel consultivo e que está sendo definido pelo Itamaraty e pelo Ministério da Economia (GM).