ACORDO RESTRINGIRÁ EXPORTAÇÕES

O tratado de livre comércio assinado pelos EUA, Canadá e México (NAFTA) deverá prejudicar ainda mais as exportações brasileiras para aquela região, que já vinham caindo nos últimos anos. A avaliação é do coordenador do Departamento de Integração do Itamaraty, embaixador Rubens Barbosa, que aponta o MERCOSUL como uma das poucas saídas para a economia do Brasil e dos seus três parceiros na associação, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Ele observa que os termos do acordo NAFTA ainda são mantidos em sigilo pelos seus signatários, mas que já está claro que haverá restrições à importação de produtos fabricados fora da região e que a unificação também desviará investimentos que poderiam ser feitos na América do Sul. E como o NAFTA adota medidas especiais para restringir as indústrias japonesas e coreanas instaladas no México, teme-se que os asiáticos também criem seu mercado regional, dificultando ainda mais nosso mercado externo. As dificuldades com a CEE começam em 1o. de janeiro de 93, lembra Rubens Barbosa. Nessa data entrarão em vigor medidas restritivas a produtos agrícolas na Europa. A medida já poderá afetar a próxima safra brasileira, pois 70% das vendas à CEE são de produtos agrícolas. As vendas do Brasil para a região estão há vários anos congeladas em torno de 30% do total e as exportações para os EUA caíram de 30% para menos de 20%. Nesse quadro adverso, em que aos países em desenvolvimento só sobrarão nichos de mercado, o embaixador afirma que as nações da América do Sul precisam se aproximar cada vez mais comercialmente. No caso brasileiro, ele defende um esforço maior do país para a consolidação do MERCOSUL, que tem garantido a manutenção de emprego em setores como o automobilístico. Na opinião de Rubens Barbosa, a criação do MERCOSUL dará a seus membros um poder de barganha maior do que a atuação isolada de cada um nas negociações internacionais (JB).