DUNKEL DEBATERÁ NO BRASIL BLOCO REGIONAL

O secretário-geral do GATT, Arthur Dunkel, chegou ontem ao Brasil para uma visita de três dias, iniciada por encontros nos Ministérios da Economia e das Relações Exteriores. Dunkel está no país a convite do Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional (Cemei) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para discutir, no Rio de Janeiro, o impasse nas negociações sobre o comércio internacional de bens e serviços (a Rodada Uruguai) e o impacto dos acordos alfandegários, como MERCOSUL e NAFTA, sobre as discussões multilaterais em organismos como o GATT. Iniciada em 1986, a Rodada Uruguai foi suspensa este ano, devido ao impasse em torno do ritmo de aplicação das propostas de redução dos subsídios a produtos agrícolas. Só na CEE, maior importadora (31% em 1991) de produtos brasileiros, os subsídios aos agricultores chegam a US$100 bilhões anuais, um quarto do PIB do Brasil. A posição do GATT frente à formação de uniões aduaneiras, que podem evoluir para blocos econômicos de legislação trabalhista e financeira padronizada, é de relativa impotência. Dunkel deverá dizer que blocos só são prejudiciais se elevarem tarifas ou imporem barreiras extra- alfandegárias a países que não estão no acordo (JB).