A investida do PFL sobre os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), se for bem-sucedida, impedirá a realização de programas de reciclagem de desempregados e colocará em risco até mesmo o pagamento dos benefícios do seguro-desemprego. Projeto de lei do governo prevê a transferência de recursos desse fundo para os Ministérios da Saúde e da Ação Social, num total de Cr$6,5 trilhões. Mais do que o saldo de Cr$4,5 trilhões que o FAT tem em caixa hoje. "Com essa proposta o governo vai implodir o FAT", diz o economista Willy Fischer, assessor da Força Sindical no Condefat, o conselho responsável pela gestão do fundo. "Os trabalhadores desempregados vão ser prejudicados", diz Ivan Guimarães, assessor da CUT. Estimativas feitas pelo Condefat prevêem uma arrecadação de US$3,239 bilhões em 92. Desse total, US$1,295 bilhão (40%) são destinados aos programas de financiamento do BNDES. Os benefícios do seguro-desemprego e do abono salarial devem consumir, respectivamente, US$1,378 bilhão e US$371 milhões. Gastos administrativos, contratos operacionais e outras despesas somarão US$55,7 milhões. Haveria, portanto, um saldo positivo, no final do ano, de US$139,3 milhões. O problema é que em função da recessão essa estimativa otimista de receitas e despesas do FAT pode ser alterada (FSP).