MERCADO FINANCEIRO DEBETE O MERCOSUL

Operadores dos mercados financeiros e de capitais da Argentina e do Brasil concluíram ontem que será preciso o governo brasileiro unificar o câmbio comercial e flutuante, além de equalizar o tratamento tributário sobre ganhos de capital, para que o MERCOSUL dê certo. Os profissionais reuniram-se por dois dias para definir as dificuldades de implantação do MERCOSUL e chegaram a alguns pontos de consenso, como a necessidade de criação de novos instrumentos de investimento, um fundo multinacional com ativos dos países do MERCOSUL, um mercado de dólar flutuante negociado à vista, um índice futuro de ações argentinas e brasileiras e contrato futuro de peso e cruzeiros. No mercado de juros, a grande diferença é que na Argentina os títulos privados não têm liquidez e a maioria dos títulos públicos é indexada em dólar e de longo prazo. Além disso, a tributação no Brasil é maior. Foi uma simulação altamente produtiva, avaliou Manuel Pires da Costa, presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e promotor do encontro realizado no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Participaram do "workshop" representantes das bolsas de valores e comércio de Buenos Aires e de diversas instituições financeiras argentinas. O encontro terminou com a assinatura de um convênio entre as três bolsas para promover a realização de operações financeiras conjuntas. No mercado acionário, chegou-se à conclusão de que há muitas facilidades para brasileiros investirem em papéis argentinos, mas o mesmo não ocorre na direção contrária. Os vários grupos de trabalho vão preparar relatórios com as conclusões da simulação de operações nos mercados de renda fixa, ações, derivados (ouro e futuros) e comércio exterior. Os relatórios serão entregues aos governos da Argentina e Brasil a título de sugestões concretas para a implementação do mercado unificado dos países do MERCOSUL (JC) (FSP) (JB) (GM).