O chefe do Setor de Pesquisa e Análise de Políticas de Desenvolvimento Econômico e Social da ONU, Karl Sauvant, afirmou ontem, em Belo Horizonte (MG), que os resultados até o momento obtidos no MERCOSUL "demonstram que ele é um sucesso". Ressaltou, porém, que levará algum tempo ainda para que os países-membros do acordo passem da fase de integração comercial para a de integração também produtiva, como vem ocorrendo nos mercados comuns formados pelos países desenvolvidos. Embora admitindo uma queda brusca dos investimentos estrangeiros no Brasil no período 1991/92, sem saber, entretanto, precisar de quanto, Karl Sauvant negou que a crise política que o país enfrenta seja ainda um fator inibidor dos investimentos. "O principal fator a refletir no fluxo de capitais é o tamanho do mercado e, portanto, a recessão que vem conduzindo ao atual quadro e a legislação do país no que diz respeito à atração destes investimentos, como por exemplo a remessa de lucros". Sauvant disse que no caso da Argentina e do México, pelo contrário, o fluxo de investimentos vem crescendo devido à política econômica por eles adotada de franca atração de capitais externos, além de abrigarem um clima econômico de maior estabilidade. Estudo realizado pela ONU no ano passado revela que, nos últimos anos, o Brasil vem sendo substituído pela Argentina na posição de pólo de investimentos estrangeiros na América Latina. Segundo Karl Sauvant, os investimentos estrangeiros na Argentina praticamente duplicaram de 88 para 90, saltando de US$1,1 bilhão para US$2 bilhões, enquanto no Brasil caíram de US$3 bilhões para US$2,1 bilhões. Sauvant informou que de 80 a 85, a média anual de entrada de recursos estrangeiros no Brasil era de US$1,97 bilhão, ante apenas US$519 milhões em seu vizinho latino-americano. O estudo da ONU trata das perspectivas de investimentos estrangeiros e mostra que há no mundo 35 mil empresas que controlam ativos fora de seu país de origem. O estoque de investimentos dessas multinacionais soma US$1,7 trilhão e elas movimentam por ano US$4,4 trilhões. De acordo com Sauvant, no ano passado o fluxo de investimento para o exterior em todo o mundo somou US$225 bilhões e, desse volume, 20% foram destinados a países subdesenvolvidos (JC) (GM).