BRASIL TEM US$5 BILHÕES APROVADOS PELO BIRD MAS NÃO RECEBIDOS

Há cerca de US$5 bilhões aprovados pelo BIRD (Banco Mundial) para 50 projetos no Brasil que o governo brasileiro, por várias razões, não consegue embolsar. Sobre a maior parte do dinheiro aplica-se uma multa anual de 0,25% de "taxa de compromisso". São cerca de US$10 milhões, aos quais somam-se cerca de US$13 milhões que o país pagou a mais por conta de pequenos atrasos nos últimos 12 meses. A proporção dos recursos inutilmente acumulados pelo governo junto ao BIRD fica clara quando se nota que a instituição aprovou 15 projetos para o país, no valor de US$2,9 bilhões, durante a corrente década. E o Brasil recebeu menos de 10% desse total, exatos US$240 milhões até agora. Mas o banco está disposto a melhorar seu relacionamento com o país. O diretor do Departamento de Brasil, Peru e Venezuela, Armeane Choksi, fixou uma agenda para o relacionamento do BIRD com o Brasil que inclui cinco itens: 1) reforma fiscal para reduzir o déficit em seu orçamento, baixar a inflação e estabilidade macroeconômica; 2) justiça social para reduzir a pobreza e disparidades de renda e recursos; 3) privatização de empresas estatais ineficientes, gastos que sejam efetivos em relação aos custos e transferências de renda mais transparentes; 4) esforços adicionais para clarificar os papéis de cada nível de governo na promoção de políticas, mobilização de recursos, execução de programas, redução da burocracia e envolvimento das comunidades em políticas sociais e setoriais; e 5) as estratégicas setoriais do Brasil precisam incorporar as lições de projetos no passado com respeito aos variados laços indiretos entre os diversos setores envolvidos. O BIRD já emprestou ao Brasil US$19,7 bilhões em financiamentos para 194 projetos desde 1949. No lado positivo, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) aprovou ontem dois pequenos projetos ambientais para o país, no valor total de US$1 milhão. Os recursos destinam-se à "promoção dos meios de vida econômica e ambientalmente viáveis para comunidades de baixa renda nos Estados da Bahia e do Piauí". Desde 1986, o BID concedeu cerca de US$860 milhões em empréstimos ambientais ao país. Ao longo dos próximos dois anos, porém, o BID está examinando empréstimos ambieitais de US$2 bilhões para o Brasil, o primeiro sendo de US$450 milhões para recuperação do rio Tietê, em São Paulo (GM).