PETROBRÁS AGE NA ARGENTINA

O Brasil aceitou a proposta da Argentina para participar da exploração conjunta da chamada Bacia Noroeste deste país, onde se situam importantes reservas já comprovadas de 95 milhões de barris de petróleo e 60 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Cinquenta e cinco por cento dessas reservas serão privatizadas em concorrência pública, a partir de outubro próximo, e a PETROBRÁS, com sua subsidiária BRASPETRO, decidiu participar em 15% dos 45% que a congênere argentina Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) conservará em seu poder. O ministro das Minas e Energia, Pratini de Moraes, estará hoje em Buenos Aires, onde vai assinar com o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, uma carta em que a PETROBRÁS e a BRASPETRO manifestam a intenção de associar-se à YPF na exploração das jazidas, situadas na Província de Salta, quase fronteira com a Bolívia. Mais que a exploração do petróleo-- 12% do que produz a Argentina atualmente--, a PETROBRÁS tem especial interesse no gás argentino dessa região, que, confirmadas as previsões de reservas e realizados os investimentos necessários, poderia ser adquirido pelo Brasil e transportado por gasoduto a São Paulo. Cálculos de técnicos argentinos indicam que o gás de Salta pode assegurar um fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos/dia ao Brasil, durante 25 anos. O ministro Pratini é partidário da utilização de gás natural para a mudança da matriz energética brasileira, por demais dependente de petróleo. Enquanto o gás na Argentina participa com 40% no total da energia disponível, no Brasil, o gás natural, mais barato e não poluidor, participa com apenas 2%. A associação inicial entre PETROBRÁS e YPF não faz referência ao gasoduto, mas a sua construção-- em torno de 2,4 mil km, com um investimento da ordem de US$2,5 bilhões até 1998-- asseguraria plena rentabilidade à Bacia do Noroeste. O Brasil é o cliente natural para o gás da região. Paralelamente, diretores da PETROBRÁS discutirão com seus colegas da YPF a possibilidade de o Brasil importar petróleo argentino (GM).