GARNERO ACUSA ACM AO DEPOR SOBRE A NEC

O empresário Mário Garnero reafirmou ontem as acusações de tráfico de influência contra o governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (PFL), e o ex-presidente da TELEBRÁS, Almir Vieira Dias, na transferência do controle acionário da NEC do Brasil para o presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho. Em depoimento à CPI que investiga o caso, ocorrido em 1986, no governo Sarney, Garnero disse que ACM, então ministro das Comunicações, e Vieira pressionaram as diretorias dos grupos Sharp, Modata, Cataguases e ABC para que não comprassem suas ações na NEC, que deveriam cair nas mãos de Marinho. Havia uma decisão do ministro de que só poderíamos vender ao Roberto
49701 Marinho, disse Garnero. Enquanto a transferência não se efetivou, a TELEBRÁS deixou a NEC um ano sem receber dívidas atrasadas e suspendeu contratos assinados no valor de US$100 milhões. O "cerco" à NEC do Brasil, segundo ele, incluiu uma propina de US$500 mil, que teria sido paga por Masaru Yanagi, vice-presidente da NEC Corporation para a Amércia Latina, a "autoridades do governo brasileiro". Segundo Garnero, a TELEBRÁS pagou suas dívidas de US$30 milhões com a NEC um dia após o seu afastamento da administração da empresa. Além disso, o empresário garante que Roberto Marinho não pagou um centavo pelas ações, quitada pela NEC Corporation para que o dono da Globo assumisse como testa-de-ferro dos sócios japoneses. Em 1986, a legislação proibia que estrangeiros detivessem o controle acionário de empresas de informática no Brasil (JB).