O BNDES não dispõe de recursos para financiar a construção naval porque o dinheiro arrecadado através do AFRMM (Adicional de Frete da Marinha Mercante) faz "um longo passeio" pelos cofres do Tesouro Nacional antes de ser creditado ao FMM (Fundo da Marinha Mercante). A observação é do presidente do Estaleiro Caneco, Arthur João Donato. Ele criticou a morosidade deste processo-- iniciado em fevereiro de 1990-- e afirmou que, além das irregularidades verificadas no fluxo de caixa das empresas, tal fato está causando impactos diretos e traumatizantes nos prazos de execução dos projetos navais. Ele comentou que a utilização de recursos do FMM para outros fins, como no repasse de cerca de US$40 milhões ao Lloyd Brasileiro, em 1991, representa grandes perdas financeiras, que em sua opinião inibem cada vez mais as iniciativas de investimento. Conforme cálculos dos construtores navais, o custo financeiro ocasionado pela demora de liberação dos recursos provenientes do AFRMM totaliza um prejuízo de US$76 milhões para o BNDES- - o equivalente ao custo de dois navios. Além disso, também está retida parcela de Cr$83 bilhões que deveria ser creditada ainda este mês ao FMM (JB).