As negociações nos mercados acionário e de "commodities" entre Brasil e Argentina já podem ser feitas livremente, mesmo antes do início do MERCOSUL, marcado para começar em 1995. Essa foi a conclusão de operadores argentinos e brasileiros reunidos ontem na primeira simulação de negócios entre os dois mercados realizada no pregão da BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo). Representantes de 11 instituições argentinas participaram com vários bancos nacionais da simulação de mercados, reunindo operações na área de ações, financeiro, dívida externa e futuros, além de ouro. Hoje, a direção da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) assina convênio operacional com o Mercado de Valores (Merval), a bolsa de valores de Buenos Aires. O Banco Central, através da Resolução 1.946, estabeleceu que o movimento de cruzeiros para fora do país acima do equivalente a US$100 mil deve ser identificado, sendo realizado no mercado interbancário. "O BC, dessa forma, reconheceu o cruzeiro como moeda de livre conversibilidade", explicou aos operadores o advogado Sérgio Eskenazi, da Eskenazi Pernidji, Menasche Advogados. "Assim, pode-se enviar cruzeiros para fora e fazer o caminho inverso, viabilizando as operações entre os mercados brasileiros e argentino, por exemplo", acrescentou. Um dos problemas levantados pelos operadores foi a dificuldade nas negociações entre um país com câmbio livre (Argentina) e outro com câmbio controlado (Brasil). Com a livre conversibilidade do cruzeiro prevista pela resolução do BC, de julho passado, esse obstáculo está superado. "Resta ainda o problema de tributação de 25% sobre ganhos de capital", lembrou Paulo Roberto Garbato, superintendente da área de Desenvolvimento de Mercados Agrícolas da BM&F (JB).