Ricardo Forcella, o uruguaio que teria emprestado US$5 milhões ao ex- secretário do presidente Fernando Collor, Cláudio Vieira, recebeu, de junho a novembro de 1990, US$5,3 milhões provenientes de um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraude fiscal montado no Rio de Janeiro. Esse dinheiro foi depositado numa das empresas de Forcella, a Surmel Trading Company, que funciona no mesmo endereço da Alfa Trading, em Montevidéu. Foi a Alfa, também de propriedade de Forcella, que assinou o contrato de empréstimo apresentado por Vieira à CPI do caso PC Farias como justificativa para as despesas do presidente Collor. As operações foram descobertas na devassa feita pelo Banco Central em três distribuidoras de títulos e valores mobiliários sediadas no Rio e já liquidadas extrajudicialmente: Rumo, Divalores e Florim. O esquema de lavagem de dinheiro que elas montaram envolvia também um orfanato, o Lar- Escola São Cosme e São Damião, que repassava recursos obtidos ilegalmente nas operações e fazia depósitos em empresas sediadas em paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens e o Uruguai. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal do Rio começam a investigar esta semana a possível conexão entre o suposto empréstimo obtido por Vieira, a Alfa Trading e o caso das distribuidoras e do orfanato, uma das maiores fraudes já descobertas pelo BC (O ESP).