O governo argentino permanecia, ontem, em sua atitude de reserva quanto à formação de uma zona de livre comércio da América do Norte, o NAFTA, formado pelos EUA, Canadá e México. "Esperamos que contribua para a liberalização do comércio mundial", disse, apenas, um porta-voz da chancelaria argentina. A cautela tem explicações. O texto integral do acordo só será conhecido dentro de 30 dias. Até agora os analistas dispõem apenas de um comunicado de 10 páginas, distribuído pelo Departamento de Comércio dos EUA. E de uma dezena de declarações de autoridades das partes contratantes. Que diz o acordo sobre a cláusula de acesso? com essa pergunta este jornal foi recebido em todos os gabinentes em que procurou sondar as futuras relações do NAFTA com o MERCOSUL. A resposta estava no próprio material do Departamento de Comércio dos EUA: ao contrário do que deixa claro o Tratado de Assunção, que criou o MERCOSUL, o acordo do NAFTA não estabelece previamente as condições para futuras associações. Pelo texto conhecido, os candidatos ao NAFTA só poderão ser admitidos se EUA, Canadá e México estiverem de acordo. Para isso, deverão atender às condições que estes últimos "requeiram" e se sujeitem "à implementação de procedimentos aprovados internamente por cada país". Há dois anos, Brasil e Argentina examinaram a possibilidade de um acordo de livre comércio com o México e o abandonaram. Já estava em curso o MERCOSUL e os principais sócios do processo preferiram reforçar sua própria integração e, esperado o momento, tentar um acordo entre MERCOSUL e NAFTA. Negociar de bloco para bloco sempre resultará mais proveitoso do que fazê-lo individualmente, em uma e outra ponta. Atuar conjuntamente foi uma decisão da reunião presidencial de Las Len~as em junho último. Por enquanto, Brasil e Argentina não se pronunciarão oficialmente sobre o NAFTA. Mas seus negociadores continuarão tentando saber um pouco mais do que está contido nos comunicados de imprensa. Paralelamente, na ALADI (Associação Latino-Americana de Integração), suas delegações aprofundarão o exame das implicações do NAFTA no comércio exterior dos países latino-americanos. Enquanto isso, o MERCOSUL tentará resolver seus problemas internos. O objetivo tático parece ser fortalecer o MERCOSUL e prepará-lo para o que der e vier. Se o NAFTA, como se manifesta o governo argentino, contribuir para "a liberalização do comércio mundial", o MERCOSUL estará pronto para abrir-se e aproveitar os novos tempos (GM).