MERCOSUL NÃO ANIMA OS PRODUTORES RURAIS

A rodada de negociações em torno do MERCOSUL, encerrada ontem em São Paulo, e que tratou especificamente do setor agropecuário, revelou uma série de problemas que podem inviabilizar a integração. O presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira), Pedro de Camargo Neto, disse que a instabilidade econômica entre os países e a diferença cambial podem pôr tudo a perder. Camargo acha que primeiro se deve discutir a política agrícola, para depois partir para a avaliação de cada produto. Para o ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, tudo isso será superado até dezembro de 1994. "Até lá temos tempo para resolver essas questões, como a existência de preços mínimos exclusivamente no Brasil. Para os que não se deram conta, no Plano de Safra que estamos divulgando a soja já perde esse privilégio", argumentou. Cabrera não acha, por isso, que o setor terá de pedir adiamento para se adequar ao MERCOSUL em 1995. No entanto, representantes da iniciativa privada do setor cafeeiro estão pleiteando a criação desse instrumento para o café. O ministro afirmou também que o processo de abertura de investigações sobre a existência de subsídios no trigo importado durante o ano passado está em tramitação e poderá sair nos próximos dias. Cabrera enfatizou que o Brasil, entre os países signatários do MERCOSUL, é o único a utilizar a tributação compensatória e, por essa razão, o governo brasileiro irá pleitear junto aos demais integrantes a adoção de medidas semelhantes em casos de práticas desleais de comércio. Cabrera disse que os recursos de US$5,2 bilhões a serem liberados já estarão disponíveis no sistema financeiro na próxima semana (JB) (GM).