IMPORTADOS BRASILEIROS ASSUSTAM OS ARGENTINOS

O Brasil é o principal alvo do documento divulgado ontem pela União Industrial da Argentina (UIA) pedindo medidas de proteção à indústria local por parte do governo Carlos Menem. No documento, aprovado por unanimidade na cidade de Neuquem, a entidade acentua a crescente disparidade entre Brasil e Argentina em custos industriais e o risco que significa a invasão de produtos brasileiros no mercado argentino. A partir daí, defende que, "enquanto persistirem as condições excepcionais na República Federativa do Brasil, se arbitrem medidas que detenham a perturbação profunda que sofre a indústria argentina". Ao contrário do que se esperava diante das mais recentes declarações de empresários ligados à UIA, o documento não pede o estabelecimento de barreiras alfandegárias adicionais para barrar a indústria brasileira. Mas lembra que, nas condições atuais, é impossível competir e pede a redução dos impostos estaduais e municipais sobre gás e eletricidade; novas linhas de financiamento à produção; e subsídio à produção industrial das regiões mais pobres (aos moldes do que foi feito no Brasil através de organismos como SUDENE, SUDAM, SUDECO etc.). O comércio bilateral entre os dois países deve chegar a US$3,5 bilhões em 92, com forte vantagem para o Brasil, hoje o segundo maior fornecedor da Argentina. No primeiro trimestre, as vendas brasileiras foram de US$186,5 milhões, com crescimento de 128,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O déficit argentino com o Brasil cresceu 619,5% (O Globo).