A 30a. Feira Nacional do Calçado (Fenac), encerrada ontem em Novo Hamburgo (RS), ajudou na investida dos exportadores do setor em direção aos mercados vizinhos, com predominância para os negócios com a Argentina, onde o atraso cambial torna o produto brasileiro mais competitivo. Este ano, os argentinos devem importar cerca de 10 milhões de pares de calçados. A ofensiva já provocou reações protecionistas na Argentina, que há um mês taxou suas exportações de couro cru e "wet blue". "Eles temem que o sapato brasileiro fique ainda mais barato", diz o presidente da ABICAL>ADOS, Horst Volk. A 30a. Fenac terminou com resultados inferiores às expectativas dos organizadores. O número de visitantes, computados três dos quatro dias do evento, alcançou a 8.832, dos quais 418 estrangeiros de 17 países. A estimativa inicial previa a visita de cerca de 15 mil pessoas. O movimento proporcionou pedidos pouco significativos, que no total não devem exceder a cinco milhões de pares-- a produção nacional de calçados, incluindo tênis e sintéticos, em 1991, foi de 468 milhões de pares, dos quais 60% para o mercado interno. "De fato, ficamos bem abaixo do esperado", reiterou Enio Klein, superintendente da feira. Mais de 60% das vendas foram de calçados esportivos, relatou Volk, surpreso com a demanda de tênis para o público infantil. Estimulados pela criação do MERCOSUL, os promotores da Fenac deram ao evento um toque de integração por meio da participação de seis empresas argentinas entre os 279 expositores-- 80% do Rio Grande do Sul. Os argentinos fizeram muitos contatos, mas poucos negócios. Um sócio da Plumita-- fabricante de sapatos esportivos infantis--, Manuel Zavallone, lamentou a desigualdade de condições, pois considera que o Brasil é um bom mercado para o produto argentino (O ESP) (GM).