EMBAIXADOR PEDE SOLUÇÃO RÁPIDA PARA A CRISE

O superávit brasileiro na balança comercial com a Argentina neste ano tem várias causas, segundo o embaixador daquele país no Brasil, José Manuel de La Sota: o maior valor do cruzeiro perante o peso, a retração do mercado brasileiro, o aumento dos custos industriais e incremento na demanda interna argentina. "A soma desses fatores fez com que as compras dos argentinos no Brasil crescessem em 140% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 1991", disse o embaixador, que inaugurou ontem, em Curitiba (PR), a Câmara de Comércio e Indústria Brasil/Argentina do Paraná. O volume de negócios entre os dois países deverá, neste ano, ultrapassar US$4,2 bilhões, 30% maior que o do ano passado. O que desejamos é que a economia brasileira tenha seus problemas
49595 resolvidos o mais rápido possível porque o atual nível de inter-
49595 relacionamento entre nossos países já faz com que a Argentina sinta
49595 reflexos da crise do Brasil, disse o embaixador. O interesse dos empresários no MERCOSUL tem sido crescente, segundo De la Sota, embora ainda dependente das vantagens periódicas apresentadas ora por um, ora por outro país. As câmaras de comércio e indústria e os esforços oficiais em promoção de eventos têm sido positivos para aumentar o entrosamento dos setores produtivos, segundo ele. Ontem foi assinada a "Ata de Curitiba-Integração", pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e pela Confederação Econômica de Missiones, uma forma de apoio às iniciativas de estreitamento nas relações comerciais e culturais. "É preciso que os empresários entendam que blocos econômicos são vias com duas mãos e não apenas oportunidades de negócios vantajosos", comentou o embaixador. O MERCOSUL, particularmente, tem, conforme disse, resistências fortes de setores cartelizados dos dois países (GM).