INFORMALIDADE ATINGE 37% DO MERCADO

O contingente de trabalhadores brasileiros sem nenhum vínculo empregatício soma, atualmente, 22,2 milhões, correspondente a 37% da população ocupada do país, de 60 milhões. No início dos anos 80, este percentual situava-se na casa dos 30%, como informou ontem, no Rio de Janeiro, a economista e pesquisadora da USP, Maria Cristina Cacciamali, durante "seminário internacional sobre mercado de trabalho, desigualdade e pobreza no Brasil", patrocinado pelo IERJ (Instituto de Economia do Rio de Janeiro) e pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Cacciamali destacou que o mercado informal atua como "um colchão" para reduzir o impacto do desemprego em épocas de recessão, mas alertou para seus limites, caso o processo recessivo se aprofunde muito, gerando um exército de mendigos nos grandes centros urbanos. Os trabalhadores sem carteira, têm se expandido mais que os "conta própria", informou a pesquisadora. Os trabalhadores "sem carteira" são em grande parte mão-de-obra desqualificada e de origem pobre, com salário 15% a 20% inferior ao do mercado informal. O salário gira em torno de dois salários-mínimos. Já o "conta-própria" não necessariamente um desqualificado, afirmou (GM).