Empresários ligados à pecuária de corte deverão pedir oficialmente aos governos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai a liberação do comércio de couro cru dentro do MERCOSUL. A proposta faz parte da pauta de discussões apresentada pelo Brasil na reunião prévia ao seminário quadripartite do setor privado para a carne bovina, que se realizará hoje em São Paulo, e foi aprovada pelas delegações dos outros países. Atualmente Paraguai, Uruguai e Brasil já liberaram a exportação de peles não curtidas dentro do mercado comum. A maior resistência para a Argentina fazer o mesmo se encontra no setor industrial argentino, que teme o efeito nos preços do couro cru que o atendimento da demanda brasileira poderá causar. Segundo Flávio Alberto Lucchese, diretor-executivo da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (Aicsul), a pele uruguaia é comprada pelo Brasil por US$1,10 o quilo, mesmo valor que o produto argentino alcançaria no mercado internacional. Hoje, os coureiros daquele país pagam US$0,70 o quilo para os frigoríficos. Devido à idade avançada de abate do gado brasileiro (entre 4 e 5 anos), o couro nacional "tem uma das piores qualidades do mundo, sofrendo um decréscimo de 15% quando negociado no mercado internacional", afirma Lucchese. A pele argentina, vinda de novilhos mortos entre 2 e 3 anos de idade, apresenta um rendimento 30% maior que a brasileira. "Em um primeiro momento, a nossa demanda seria de dois milhões de couros por ano", disse o diretor da Aicsul. Para ele, parte da forte rejeição da indústria argentina à idéia se deve ao atraso tecnológico em que ela se encontra. A Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC) irá levar à reunião de hoje a proposta de simplificação do sistema argentino de vigilância sanitária aos produtos oriundos de proteína bovina. A meta, segundo Milton Dallari, diretor-executivo da entidade, é possibilitar exportações de carne para aquele país o mais rápido possível, aproventando a situação cambial favorável para o Brasil. Com o aquecimento do mercado interno e o dólar alto, a arroba do novilho gordo argentino sai atualmente pelo equivalente a US$26, enquanto o produto similar no Brasil não passa de US$19 (GM).