BRASIL PERDE NA EXPORTAÇÃO

Os impactos negativos do Acordo de Livre Comérdio da América do Norte (NAFTA) para as exportações brasileiras são imediatos, e os reflexos positivos são mais lentos e incertos. A advertência é do economista João Bosco, da FUNCEX, encarredo pelo Itamaraty de projetar as consequências do acordo entre EUA, Canadá e México para o país. As consequências negativas do tratamento favorecido concedido aos mexicanos, para os exportadores brasileiros, serão mais agudas para os produtos que vêm sendo submetidos, desde meados da década passada, a condições desfavoráveis, como os acordos voluntários de restrição (VRAs), imposição de cotas e sobretaxação-- suco de laranja, açúcar, calçados e aço. O saldo político do acordo para o país é positivo, todavia. Bosto acredita que o NAFTA é um resultado palpável da Iniciativa para as Américas, que prevê abertura comercial de parte a parte como contraponto à união européia e à expansão japonesa na Ásia. A consequência do acordo fechado com o México é a extensão da iniciativa a outros parceiros latino-americanos. "E o Brasil é o maior mercado, a economia mais importante e o principal destinatário de investimentos norte- americanos fora da OCDE, organização dos países mais ricos", disse Bosco. Essa condição privilegiada não autoriza o Brasil a descansar nos louros, diz o pesquisador, que identifica chances de sucesso na tentativa do Chile de preceder os países do MERCOSUL (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) na integração com o NAFTA. "O Chile tem estrutura comercial mais aberta e tarifas menores". No caso brasileiro, superação das divergências com os EUA em pendências como patentes farmacêuticas, acordo Multifibras e setor têxtil são importantes. As exportações brasileiras para os países do NAFTA, em 1990, foram as seguintes: EUA (US$7.676 milhões), Canadá (US$521 milhões) e México (US$505 milhões) (JB).