Representantes da indústria vitivinícola da Argentina, presentes ontem no 8o. Seminário Quadripartite do Setor Privado, em São Paulo, aceitaram iniciar as discussões sobre a adição de açúcar ao vinho (processo denominado chaptalização), comum no Brasil e Uruguai mas proibido pela legislação argentina. Segundo o representante do Centro de Bodegueros de Mendoza, Juan Carlos Pina, "o MERCOSUL é uma realidade e todos os países terão que mudar suas legislações protecionistas". Durante a reunião de ontem foi criada uma comissão, com participação de representantes das quatro delegações que irá elaborar um código comum para a vitivinicultura, definindo produtos, processos industriais, matérias-primas e padrões de qualidade. Em contrapartida à disposição da Argentina em negociar a chaptalização, o Brasil terá que por em discussão suas restrições às importações de vinho, hoje limitadas somente a garrafas de 750 mililitros. Conforme explicou o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Uva e Vinho da EMBRAPA, José Fernando Protas, as uvas no Brasil são colhidas precocemente para evitar a podridão e por isso ficam com baixos teores de açúcar. Desta forma, as indústrias acrescentam sacarose para obter a fermentação ideal. Na Argentina, devido às condições climáticas, as uvas são colhidas no ponto ideal e apresentam teor ideal de açúcar (GM).