O Brasil não tem como negociar novas metas com o FMI para o segundo semestre se não prometer novos cortes nos gastos públicos. O Ministério da Economia encaminhou ao presidente Fernando Collor uma lista de cortes que prevê a redução dos gastos com CIACs e com a hidrelétrica de Xingó até o controle rígido dos gastos de estados e municípios, impedindo novos empréstimos junto ao setor público. O secretário de Planejamento, Pedro Parente, informou ontem que o governo só começará a negociar com o Fundo as metas do segundo semestre quando conseguir sinal verde para as novas medidas. Por enquanto, o governo procura verbas adicionais para gastos sociais. Segundo o secretário, a situação das finanças públicas permitiria cumprir só as metas no terceiro trimestre. Parente anunciou o desempenho das contas no semestre, confirmando que o Brasil não conseguiu cumprir a meta de déficit nominal prometida ao FMI por causa da inflação. A radiografia das contas públicas é a seguinte: superávit primário-- Cr$14,230 trilhões (até abril), Cr$14,8 trilhões (meta prometida ao FMI para o 1o. semestre); déficit operacional-- Cr$11,384 trilhões (até maio), Cr$11,4 trilhões (meta); déficit nominal-- Cr$179,9 trilhões (até maio), Cr$120 trilhões (meta); governo federal e Banco Central-- déficit nominal (Cr$65,657 trilhões até maio), déficit operacional (Cr$5,861 trilhões) e superávit primário (Cr$7,588 trilhões); estados e municípios-- respectivamente Cr$57,304 trilhões, Cr$2,947 trilhões e Cr$3,239 trilhões; estatais-- respectivamente Cr$47,992 trilhões, Cr$2,576 trilhões e Cr$3,404 trilhões. O balanço do primeiro semestre mostrou ainda que o país cumpriu a meta das reservas internacionais. Precisava acumular US$8,960 bilhões e atingiu US$20,491 bilhões. Também atingiu o limite do Desembolso Externo Líquido, que mede o endividamento externo. O Crédito Interno Líquido-- que mede a emissão de moeda excluída a formação de reservas internacionais-- também foi controlado. O Brasil precisava reduzi-lo em Cr$10,450 trilhões, e conseguiu reduzi-lo em Cr$31,441 trilhões. Também foi bem-sucedido no resultado operacional, que mede o comportamento das receitas e despesas sem correção monetária e cambial (FSP) (JB) (GM).