Um acordo de princípio para a criação do mercado comum da América do Norte foi fechado ontem em Washington por negociadores dos EUA, Canadá e México. Conhecido como NAFTA (North American Free Trade Agreement), o acordo tem como objetivo criar a maior área de livre comércio do mundo. As negociações começaram há 14 meses. O tratado deve ainda ser submetido ao Congresso dos três países. O documento aprovado ontem contem 400 páginas com mais de 20 mil regulamentações. Os principais pontos divulgados são: 1) barreiras (como quotas) e tarifas comerciais serão eliminadas imediatamente ou num prazo de cinco a 15 anos; 2) automóveis e caminhões devem ter 62,5% de partes e mão-de-obra nacionais para que estejam livres de impostos; 3) barreiras aos têxteis serão eliminadas em 10 anos; 4) o setor de serviços financeiros, seguros e telecomunicações do México fica aberto a concorrentes dos EUA e Canadá; 5) os direitos de propriedade intelectual receberão uma proteção especial, maior que qualquer outro acordo bilateral ou multilateral existente; 6) o México conseguiu manter a proteção de seu mercado no setor petrolífero; 7) as normas de que exigem um mínimo de produtos mexicanos em certos setores serão eliminadas, o que permitirá acesso igualitário de empresas norte- americanas e canadenses ao mercado do país. O acordo segue a tendência mundial de formação de blocos comerciais. Criaria um mercado com 360 milhões de consumidores e uma economia que movimenta mais de US$6 trilhões. O NAFTA representa 29% do PIB mundial, enquanto a CEE (Comunidade Econômica Européia), 28%. Analistas acreditam que o México pode aumentar suas exportações em US$2 bilhões por ano nos próximos três anos como resultado do acordo. O impacto para outras regiões do mundo ainda é incerto. Entre os principais entraves à sua assinatura estão as pressões dos sindicatos norte-americanos, que temem perder empregos para o mercado mexicano onde a mão-de-obra é muito mais barata. Depois do México, outros países da América Latina, como Chile, Venezuela e Colômbia, esperam a vez de ser incluídos no bloco. O Chile, país de economia mais liberal da América Latina, é o primeiro da fila e as negociações deverão começar em maio de 93. Além de negociações com países em particular, os acordos regionais também já se preparam para conversar a respeito. O MERCOSUL, por exemplo, já assinou um acordo de princípios com os EUA (FSP) (JB) (GM).