MAIORES EMPRESAS ACUMULAM PREJUÍZO DE US$2,5 BILHÕES EM 91

A recessão atingiu as 500 maiores empresas do país no ano passado. Nesse período, elas acumularam um prejuízo de US$2,5 bilhões, contra os US$575 milhões de lucro obtido em 1990. Os dados foram divulgados ontem pelo consultor da revista "Exame", Stephen Kanitz, ressaltando que desde 1963 as companhias não tinham um desempenho tão ruim. A demissão de funcionários no período foi de 15,8%, o que corresponde a um corte de 300 mil dos 1,9 milhão de trabalhadores. "Também houve uma redução drástica na margem de lucro, o que descarta a idéia de que os reajustes de preços é que causam a inflação. Mas avançamos na produtividade: cada trabalhador representou US$78 mil em vendas/ano, contra US$75 mil de 1990", revelou Kanitz. Segundo ele, a recessão forçou ainda uma redução no nível de endividamento das 500 maiores empresas do Brasil. Este nível gira agora em torno de 37,9% de seus patrimônios, contra os 60% de 1980. "As empresas permaneceram, porém, com um baixo nível de investimento: cada funcionário teve US$70 mil em equipamentos para trabalhar, contra os US$213 mil no Primeiro Mundo", disse. O ranking das "Melhores e Maiores" sofreu mudanças, pois 18 das 50 maiores empresas privadas apresentaram prejuízo no ano passado. A Autolatina permaneceu no primeiro lugar (faturou US$4,1 bilhões, mas teve prejuízo de US$143,5 milhões). A Souza Cruz tomou o segundo lugar da Shell, e atingiu US$2,823 bilhões em vendas. A VARIG foi outro destaque: passou do 13o. lugar para o 6o. lugar. Na área estatal, 34 das 50 maiores companhias amargaram prejuízos. Não houve, porém, drásticas mudanças no ranking: a PETROBRÁS permaneceu liderando (faturou US$11,3 bilhões, mas acumulou US$237 milhões em prejuízos) e a CVRD tomou o 5o. lugar da CESP (O Globo).