ATRASO CAMBIAL NÃO AMEAÇA PLANO CAVALLO

O Plano Cavallo, lançado na Argentina em abril do ano passado pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, não sofre qualquer risco do ponto de vista econômico. A afirmação foi feita ontem, em Porto Alegre (RS), pelo diretor do Banco Central argentino, Eugênio Pendas. Segundo ele, nem mesmo o atraso cambial, apontado atualmente pelos exportadores argentinos como obstáculo para seus negócios, poderá prejudicar a manutenção da política de livre conversibilidade do peso em relação ao dólar. Para ele, o atraso cambial é "um fenômeno transitório" que pode ser resolvido por mecanismos de mercado, fora do "remédio monetário". As exportações da Argentina, argumentou, não só não caíram como até apresentaram uma pequena evolução entre 3% e 4%. Com a estabilização econômica, o nível de desemprego passou de 16% para 7%, e os salários tiveram aumento real de até 10%. Para o diretor do BC argentino, a integração com o Brasil seria mais fácil se o país também tivesse sua economia estabilizada. Mas ele considerou que o programa adotado pela Argentina não precisa necessariamente servir como modelo par o Brasil. "O importante é conseguir inflação baixa e crescimento econômico", afirmou Pendas, acrescentando que a solução estaria na reorganização do Estado com o equilíbrio fiscal, em que o governo gasta somente na proporção de sua receita (O ESP) (GM).