ARGENTINA QUER LIBERAÇÃO DO MERCADO DE TABACO VERDE

Representantes do setor financeiro do Brasil e da Argentina ainda divergem sobre a liberação do comércio de tabaco verde (não processado) entre os dois países dentro do MERCOSUL, questão discutida ontem em São Paulo no 8o. Seminário Quadripartite do Setor Privado. Atualmente, o Brasil não permite esse tipo de comércio e quer manter a restrição. Industriais argentinos, pelo contrário, acreditam que essa possibilidade complementaria o mercado. Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria do Fumo no Brasil (Sindifumo), Hélio Fensterseifer, a liberação desse tipo de comércio poderia desestruturar o mercado nacional, que funciona através de um sistema integrado entre indústria e produtor-- a empresa financia a aquisição de insumos para os produtores e negocia preços e áreas a serem cultivadas, para depois comprar toda a produção. Além disso, existe uma preocupação fitossanitária e, com a falta de controle sobre a produção, a qualidade do fumo poderia tornar-se inferior, prejudicando a imagem do Brasil no mercado internacional onde é o segundo maior exportador. Na safra 1991/92, de uma produção total de 514 mil toneladas, o país exportou entre 220 mil e 230 mil toneladas. Leonardo Garcia Petruzzi, da Câmara do Tabaco de Jujuy, representante dos produtores argentinos, concorda com a posição brasileira de não permitir o comércio de tabaco cru, justificando que a abertura deste mercado afetaria principalmente o setor primário argentino. Segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil, Hainsi Gralow, o sistema utilizado atualmente no país garante preços razoáveis e liberar as exportações e importações de tabaco verde poderia acarretar superprodução. Para o presidente da Câmara da Indústria do Tabaco da Argentina, Jorge Vives, o comércio de fumo cru entre os dois países não desestruturaria o setor e acabaria nivelando oferta e preços, além da obtenção de produtos de melhor qualidade, em razão da concorrência. No momento, explicou, os produtores argentinos recebem um subsídio de US$0,50 por quilo de fumo, além do preço de venda, em torno de US$1,75 por quilo. No Brasil os produtores recebem em torno de US$1,58 por quilo. Dentro das discussões do MERCOSUL já foi acordado o fim dos subsídios, informou Vives (GM).