Lutar contra o protecionismo dos EUA e do Mercado Comum Europeu de uma forma conjunta é o principal objetivo dos citricultores brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios dentro do MERCOSUL. Representantes da atividade dos quatro países se reuniram ontem em São Paulo. Segundo o coordenador da reunião, Osório Nascimento Costa, da Associação dos Citricultores Paulistas (Associtrus), os interesses dos países-membros do MERCOSUL não são conflitantes no que se refere à citricultura. Com uma produção anual de 320 milhões de caixas de laranjas, o Brasil destina cerca de 10% do total para a exportação in natura, 25% para o consumo interno e 65% para a exportação como suco de laranja concentrado. A Argentina, segundo maior produtor do MERCOSUL, colhe apenas 24 milhões de caixas, sendo que sete milhões são destinadas à exportação in natura (aproximadamente o dobro do que o Brasil envia ao exterior). Já o Uruguai destina a maior parte de sua produção ao exterior, conseguindo exportar cerca de 2,5 milhões de caixas in natura. O Brasil passará a apoiar a posição da Argentina como exportador de
49513 laranjas in natura para o Mercado Comum Europeu, recebendo em troca o
49513 suporte deles na luta por ampliar o espaço do suco de laranja brasileiro
49513 nos EUA, afirmou Osório Costa. Segundo o gerente da Federação Argentina de Citrus, Jorge Luis Amigo, o maior problema do setor exportador argentino são as restrições fitossanitárias consideradas "draconianas", impostas pela CEE. "Várias regiões da Argentina e do Brasil estão proibidas de exportar laranja para a Europa devido ao cancro cítrico. Mas que importância essa doença tem para países como Alemanha, Holanda e Dinamarca, onde uma laranja só sobrevive em estufa?", protestou Amigo. Já o Brasil quer o apoio argentino para pressionar o Congresso norte- americano a baixar a taxa alfandegária, atualmente de US$540 por tonelada, criada sob o pretexto de se aplicar a legislação antidumping (GM).