O secretário de Política Econômica, Roberto Macedo, admitiu ontem, em São Paulo, que apenas em 1993 a inflação apresentará quedas expressivas. Ele afirmou que o custo de vida tende a baixar até dezembro, mas ressaltou que o governo equacionará seu problema de caixa somente após a implementação da reforma fiscal, em exame no Congresso. A medida só pode entrar em vigor no ano que vem, e até lá os juros permanecerão altos a fim de garantir a captação de dinheiro para os cofres do governo. Uma inflação alta contraria o plano de metas assinado pelo governo com o FMI, que previa um custo de vida de 2% em dezembro. O presidente da Associação Brasil dos Bancos Internacionais (ABBI), Henrique Campos Meirelles, afirmou que, se o governo não cumprir até o final do ano a promessa feita ao FMI de baixar a inflação e de aprovar o projeto de reforma fiscal, poderá comprometer o acordo com os bancos credores privados internacionais. Segundo ele, isto pode inviabilizar o aporte de recursos prometido pelo FMI e pelo Banco Mundial (BIRD) para garantir o lançamento de bônus da dívida externa, previsto no acordo com os bancos privados (O Globo).