O SEGUNDO DIA DA 9a. CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE

O clima de palanque repetiu-se ontem, no segundo dia da 9a. Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília (DF). O primeiro a falar foi o senador Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), incumbido de abrir a discussão sobre políticas governamentais de Saúde. Ele não poupou críticas à falta de investimentos na área social e à postura dos empresários, que têm aumentado a sonegação. Atacou também a política de ajuste econômico do governo, que tem reduzido as verbas para os programas sociais federais, e denunciou a corrupção como outra fonte de evasão das receitas. O presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva, afirmou que "o povo está passando fome, e enquanto não tiver o que comer, podem botar um médico em cada esquina do Brasil que as pessoas continuarão morrendo de disenteria, de inanição e de várias doenças que já foram erradicadas da maioria dos países deste planeta". Para mostrar a importância do investimento público na área social, Lula disse que o médico pode curar a doença, mas o governo pode evitar que ela se manifeste, dando saneamento básico e habitação salubre à população, e promovendo a distribuição de renda no país. Lula pediu também "uma vacina contra a corrupção". O ministro da Saúde, Abid Jatene pediu que as empresas paguem o Finsocial, a única forma, no seu entender, de garantir recursos para a melhoria do sistema de saúde. O ministro afirmou também que são necessários investimentos de US$9 bilhões, nos próximos 10 anos, para que a totalidade da população brasileira tenha água tratada e que 60% seja servida por coleta de esgoto (JB) (GM).