BRASIL ESTARIA AJUDANDO IRÃ A CONSTRUIR ARMAS NUCLEARES

Depois que se tornou público, em fins de 1990, o envolvimento direto de cientistas do Brasil no programa de desenvolvimento de mísseis balísticos de Saddam Hussein, além da participação de outros técnicos no esforço do Iraque para produzir armas nucleares, o governo brasileiro prometeu maior vigilância e anunciou que o país não desenvolverá uma bomba atômica nem ajudará outros a fazê-lo. Essa posição, no entanto, está sendo colocada agora em dúvida por um estudo que acaba de ser divulgado nos EUA pelo Simon Wiesenthal Center, um organismo de Defesa dos Direitos Humanos e do povo judeu. Em meio a informações colhidas durante seis meses em três continentes, muitas delas fornecidas por agentes dos serviços secretos de EUA, Grã- Bretanha, França, Alemanha e Israel, há três referências diretas ao Brasil. Uma delas revela que o Irã está investindo US$4,2 bilhões, até 1995, num programa clandestino de desenvolvimento de armas nucleares cuja tecnologia seria fornecida pelo Brasil, além de China, Paquistão, França, Alemanha, Índia e Argentina. O principal centro de pesquisas, de um total de 10 usados pelos iranianos, seria o Centro Gorgan Al Kabir, nas imediações da cidade de Gorgan, próximo ao Mar Cáspio. Ali, segundo o documento, trabalham cientistas iranianos, ucranianos, russos e cazaques, com salários de até US$20 mil por mês. A própria Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) do Brasil seria encarregada de fornecer equipamentos nucleares, que teriam sido comprados originalmente à Alemanha para instalação na usina nuclear de Angra 3. Ao mencionar esse fato, o relatório do Simon Wiesenthal Center ressalta que "a CNEN estava a cargo do programa clandestino de enriquecimento de urânio do Brasi" e diz que, em julho de 1991, já na gestão do presidente Collor, o então ministro da Infra-estrutura, João Santana, esteve em Teerã negociando a venda do equipamento alemão por US$150 milhões. O material negociado seria um equipamento de processamento de urânio, conforme o informe final preparado por Kenneth Timmerman, um especialista no setor. As demais menções ao Brasil nesse informe dizem respeito a outras duas nações que também vêm tentando dominar a tecnologia de produção de armas nucleares. Uma delas é a Síria, que, conforme a pesquisa, teria três prováveis fontes de "yellow cake" (urânio enriquecido) no mercado negro: África do Sul, Nigéria e Brasil. Outro programa clandestino de armas nucleares esquadrinhado no documento é o da Líbia. O país teria tido êxito em reprocessar cerca de 1,2 quilo de plutônio num reator de pesquisas produzido pela Rússia e instalado em Tajura. O Brasil teria, ainda que de forma indireta, uma participação nesse avanço (O Globo).