TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL

A mais antiga organização internacional de Defesa dos Direitos Humanos está de olho no Brasil. Criada em Londres (Inglaterra) há 150 anos para abolir a escravidão no mundo inteiro, a Anti-Slavery International (ASI) ainda não aposentou seus funcionários porque constatou que falta libertar milhares de escravos. E uma de suas mais duras campanhas, este ano, está sendo dirigida ao governo brasileiro. A ASI encaminhou relatório à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, demonstrando que o problema da escravidão, no Brasil, tem aumentado, em parte devido à recessão. Em 1991, de acordo com a ASI, foram encontradas 27 empresas que sobreviviam com o trabalho forçado de 4.883 pessoas. Esse número representa o dobro do registrado em 1990. A lei brasileira proíbe a escravidão, mas como os responsáveis não
49430 são punidos, a prática continua sendo usada, diz o relatório da ASI. A maior parte desses casos ocorreu no Pará e em Mato Grosso. As empresas contratam trabalhadores de outros estados, prometendo-lhes salários que jamais receberão: eles já chegam ao local endividados, pois têm que pagar preços exorbitantes pela viagem, refeições e remédios. Com os descontos, os bóias-frias nunca têm dinheiro para sair dos locais isolados para onde foram levados. E, segundo a ASI, muitos que tentam escapar são mortos. Uma das preocupações da ASI é com os policiais brasileiros, que raramente investigam as denúncias. E quanto alguma providência é tomada, nunca é contra as empresas que beneficiam do trabalho. Punem-se capangas ou intermediários. O primeiro caso de um dono de terras preso por utilizar mão-de-obra escrava, no Brasil, só aconteceu em abril passado. Foi na Fazenda Gralha Azul, no Paraná, onde famílis de bóias-frias trabalharam anos sem receberem salários (O Globo).