A IX Conferência Nacional de Saúde, aberta oficialmente ontem, em Brasília (DF), pelo ministro da Saúde, Abid Jatene, com representantes da OMS (Organização Mundial de Saúde), corre o risco de mudar a pauta, em que previa uma discussão sobre as questões de saúde no país, para se tornar palco político expondo manifestações contra o presidente Fernando Collor e alguns setores do governo, como o Ministério da Economia. Durante toda a abertura os militantes, na maioria do PT e da CUT, aproveitaram cada espaço silencioso para gritar "Fora Collor". Com um tema centralizado na municipalização da Saúde, a conferência abordará principalmente a questão financeira, onde as reclamações se concentram na falta de recursos. "A política de investimento do setor está paralisada por falta de recursos", declarou Jatene, depois de reclamar o não pagamento do Finsocial pelas empresas que contestam na Justiça o recolhimento do imposto. A realização da Conferência Nacional de Saúde foi prevista na Constituição de 1988. Ele não era realizada desde 1986, quando foi adiada pelo presidente José Sarney. No governo Collor, o então ministro da Saúde, Alceni Guerra, chegou a afirmar que não ia "criar palanque para sanitaristas de esquerda", e adiou duas vezes a conferência alegando falta de recursos (JB).