O crescimento de 21% na safra deste ano proporcionou à agricultura uma renda entre US$2 bilhões e US$4 bilhões maior que em 91. A estimativa é do economista Guilherme Dias, pesquisador da FIPE. Isso significa que a renda-- o dinheiro disponível para o agricultor gastar-- aumentou entre 5% e 10%. Com isso o Brasil tem plenas condições de repetir a produção de 70,5 milhões de toneladas de grãos no plantio que começa dentro de um mês. Os números são confirmados pelo analista Vlamir Brandalizze, da consultoria paranaense Etac Mercados. Segundo ele, uma colheita de milho com produtividade média (em torno de 2.100 kg por hectare) melhorou a renda em US$12,00 a US$15,00 por hectare plantado em relação a 91. O produtor também ganhou 5% no preço médio da soja (hoje em torno de US$10,50 a saca). Dias afirma que o volume de crédito oferecido para o custeio da safra deste ano (US$5,2 bilhões) atende às necessidades do campo-- cada vez mais propenso a plantar com dinheiro próprio e fugir do financiamento. Para o setor rural seguir em frente, basta que o governo não interfira, diz o economista da FIPE (FSP).