PESQUISA SUGERE MUTAÇÃO DO HIV NO BRASIL

Um estudo feito no Hospital Gaffrée e Guinle, no Rio de Janeiro, sugere que o vírus da AIDS que infecta brasileiros sofreu mutações que podem comprometer a eficácia de uma vacina desenvolvida contra os vírus de outras regiões. Foram estudadas amostras de sangue de 189 pacientes infectados pelo vírus HIV-1. As análises mostraram que dos 189 pacientes, 89% formaram os anticorpos específicos, chamados V3, que são capazes de neutralizar o vírus. Os restantes 11% não produziram os mesmos anticorpos. Os pacientes infectados que têm níveis mais altos de V3 permanecem mais tempo assintomáticos, explica o imonologista Carlos Alberto Morais de Sá. Uma vacina contra a AIDS teria a função de aumentar a produção desse tipo de anticorpo, levando o organismo a neutralizar os vírus com mais intensidade do que eles se multiplicam. Isso criaria o tipo de imunidade que impede, por exemplo, que uma pessoa morra por causa de um resfriado. O imunologista explica que, ano passado, na época em que a OMS (Organização Mundial de Saúde) propôs que o Brasil tomasse parte dos testes com a vacina em seres humanos, agentes da organização recolheram em várias partes do Brasil amostras do sangue de pessoas infectadas pelo HIV. A intenção, tudo indicava, era identificar e comparar os vírus daqui com os de outras partes do mundo para criar uma vacina eficaz contra o maior número possível de subtipos de vírus. Mas até hoje, conta o cientista brasileiro, embora solicitada, a OMS não mostrou aqui os resultados das análises com o sangue dos brasileiros. Se as equipes de cientistas que desenvolvem e testam as vacinas não incluírem nelas a variação brasileira do vírus, diz Moraes de Sá, os testes a serem feitos aqui podem resultar parcialmente inúteis para a população brasileira (JB).