CPI DO CASO PC FARIAS NÃO ABALA EMPRESAS

No meio empresarial, a crise política detonada pela CPI do caso PC Farias é apenas política e ponto final. Reina entre os empresários dos mais variados sementos a sensação de que o Brasil caminha para uma situação vivida pela Itália ou Japão, países onde sucessivos escândalos políticos envolvendo acusações de corrupção não conseguem desviar as metas econômicas de suas rotas. "Do ponto de vista estratégico- empresarial, a CPI não está influenciando em nada no dia-a-dia da nossa empresa", alega Carlos Salles, presidente da Xerox do Brasil. O plano de investimento de US$147 milhões previsto para este ano está mantido. Aliá, até agora, a Xerox já investiu US$112 milhões. "Aliar fatos políticos ao rumo econômico só interessa as especuladores", acrescenta Salles. A recessão é muito pior do que a CPI, resume Paulo Kastrup Netto, vice- presidente da Texaco. Ainda assim, de olho na liberação dos preços dos combustíveis, a Texaco acelera seu investimento de US$3,5 milhões no projeto de combustíveis aditivados. A Mineração Brasileira Reunida (MBR), do grupo Caemi, começa em setembro-- em pleno epílogo da crise política-- a expansão da mina de minério-de- ferro de Pico. Lá, estão sendo investidos US$260 milhões para aumentar a produção da MBR de 23 milhões para 27 milhões de toneladas de minério por ano. "A CPI não provocou nenhum impacto em nossos planejamentos de curto ou longo prazo", garante José Paulo de Oliveira Alves, presidente da MBR. O poder aquisitivo é muito mais apavorante que a CPI, diz Pedro Soares Bentes, presidente da Flex-A Carioca, fabricante de produtos domésticos de plástico. "A única precaução é redobrar o cuidado na hora de administrar o caixa no dia-a-dia, porque o mercado financeiro se alimenta da boataria", observa o empresário. No mais, a vida continua (JB).