Nos últimos dois anos, os números da disputa por terra no Grande Rio duplicaram. Contra as cerca de 80 áreas de conflito computadas pela estatística oficial no final de 1990, existem hoje mais de 200. Isso sem contar a população de rua-- sem moradia fixa-- e os favelados instalados sob viadutos. A progressão é tão intensa que todos os meses a Secretaria Estadual de Urbanismo, Habitação e Assentamentos Humanos faz um novo levantamento do número de áreas ocupadas ilegalmente. Boa parte dessas ocupações, porém, não chega ao conhecimento das autoridades, o que impede até a atualização do mapa que marca os pontos de conflitos de terra publicado no Atlas Fundiário do Rio de Janeiro. Só na capital, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social mantém oito núcleos nos quais estão assentadas cerca de duas mil famílias. Esses núcleos agrupam desde ocupantes de terras e de 11 CIEPs, que esperam a distribuição de casas ou lotes, até vítimas de enchentes, desabamentos e outros acidentes. No momento, a Secretaria trabalha em 35 áreas ocupadas irregularmente. A Secretaria Estadual de Urbanismo detectou, no último levantamento, 101 áreas de conflitos, todas assistidas pelo órgão. O déficit habitacional e o alto valor dos aluguéis transformou o Rio de Janeiro na capital nacional do "jeitinho" principalmente quando se trata de moradia. Nessas horas, vale tudo para garantir um teto-- até mesmo associações de moradores de viadutos. A cada dia aparecem novas associações congregando pessoas que vivem sob os viadutos, ocupantes de terras particulares e de áreas de risco. Só na cidade, a Federação das Associações de Favelas (FAFERJ) tem cadastradas 380 entidades, mais de 90% em áreas não legalizadas (O Globo).