Com a instalação do MERCOSUL, muitas empresas terão que se reestruturar, algumas apenas para sobreviverem e outras por melhor aproveitarem as oportunidades. É o que afirma o diretor da firma de consultoria Coopers & Lybrand, João Moura, com base em pesquisa recente elaborada junto a empresários brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios. "Embora haja diferenças significativas entre as opiniões do empresariado nos quatro países, é consenso o interesse na efetivação do acordo. A incerteza está ligada ao êxito final. O MERCOSUL realmente significa ao mesmo tempo oportunidade e ameaça, e a mudança no ambiente competitivo pode fazer vítimas. E ninguém quer ser vítima", disse João Moura. A pesquisa da Coopers & Lybrand indica que serão mais beneficiados os setores de alimentos, turismo, financeiro, mercado de capitais e informática. Segundo João Moura, "setores que já são eficientes terão oportunidade de expandir seus negócios no MERCOSUL, montando, inclusive, bases em outros países. Há também empresas que estão em boa situação e preocupam-se apenas em manter a posição. E aquelas que não estão bem, ainda têm condições de se recuperar, caso estejam dispostas a investir em programas de qualidade e produtividade", diz. A queda de barreiras alfandegárias permitirá que recursos financeiros, tecnológicos e para empreendimentos procurem os setores mais rentáveis. Segundo João Moura, "como um todo, a economia fica mais eficiente, cada país terá indústrias mais fortes, enquanto as ineficientes acabariam sacrificadas". Os empresários brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios, que pertencem a 18 ramos diferentes de atividades, e foram ouvidos na pesquisa da Coopers & Lybrand, encaram o processo de globalização do MERCOSUL como um desafio previsível. A maioria considera como ponto forte no acordo a complementação equilibrada das vantagens e desvantagens competitivas entre os países e setores econômicos. Para eles, pontos fracos são: baixo nível de preparação competitiva dos países-membros e a desigualdade nas políticas econômicas destes países (JC).