Brasil e Argentina avançaram mais um pouco em sua intenção de introduzir modificações no Tratado de Tlatelolco-- que proscreve as armas nucleares na América Latina-- depois de uma reunião que mantiveram nos últimos dias 30 e 31, em Buenos Aires (Argentina), o secretário-geral do Itamaraty, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, e o vice-chanceler argentino, Fernando Petrella. A modificação de cinco artigos do tratado para salvaguardar os segredos industriais, comerciais e tecnológicos dos países que desenvolveram projetos nucleares autônomos para fins pacíficos foi sugerida pela Argentina, aceita pelo Brasil e Chile e, segundo Seixas Corrêa, conta já com a simpatia do México, país depositário do tratado. Com tais apoios, as emendas aos artigos 14, 15, 16, 19 e 20 do tratado poderão ser aceitas pelos demais signatários; e Brasil e Argentina a ele poderão aderir integralmente. E no encontro de ontem em Buenos Aires, Seixas Corrêa e Petrella consideraram que suas posições sobre o tema estão totalmente harmonizadas e manifestaram a certeza de que, com a aceitação das emendas propostas, poderão em breve aderir ao tratado. A reunião de Seixas Corrêa e Petrella faz parte de um sistema periódico de consultas e intercâmbio de informações que as duas chancelarias resolveram adotar depois que o Brasil e Argentina, unidos no MERCOSUL (Mercado Comum do Cone Sul), divergiram em importantes questões de política internacional, como a guerra do Golfo Pérsico e a situação de Cuba. A próxima reunião será realizada em Brasília, em setembro, às vésperas da instalação da Assembléia Geral da ONU. Seixas Corrêa destaca que, embora persistam diferentes posições em política internacional-- o alinhamento quase automático da diplomacia argentina às posições norte-americanas é a mais evidente--, "Brasil e Argentina coincidem em 95% dos seus votos nas Nações Unidas e em outros foros internacionais". Chegar aos 100% seria o ideal, mas essa, segundo Seixas, é uma situação a que não chegaram nem os países da Comunidade Européia (GM) (JB).