O jornalista Etevaldo Dias, 46 anos, até ontem diretor-regional do "Jornal do Brasil" em Brasília (DF), é o novo porta-voz da Presidência da República, o terceiro no governo Collor. Etevaldo assume no próximo dia 11 a Secretaria de Imprensa e a área de publicidade do governo. Ele disse acreditar no governo Collor por seu "tino de repórter". Afirmou que manterá a descentralização na escolha da mídia para veicular propaganda oficial e considerou pequena a verba de publicidade do governo: US$100 milhões este ano, segundo o ex-coordenador de divulgação Tom Einsenlohr. Etevaldo assume a Secretaria de Imprensa no momento que sua atuação profissional é questionada. Ele foi o primeiro jornalista a divulgar a chamada "Operação Uruguai" e a afirmar, em reportagem do "JB", que o empréstimo feito por Cláudio Vieira, ex-secretário do presidente Fernando Collor, era legal. Vieira deu instruções aos envolvidos para falarem apenas com Etevaldo. O jornalista Maurício Correia, funcionário da Sucursal do "Estado de S.Paulo" em Brasília, em requerimento ao Sindicato dos Jornalistas da capital, pede a expulsão de Etevaldo da entidade. Ex-subordinado seu no JB, Correia menciona o envolvimento do novo porta-voz com a "Operação Uruguai". Faz referência também às atividades da mulher de Etevaldo, Ingrid Rocha. Ela possui uma empresa de comunicação que leva seu nome e que presta assessoria a diversos integrantes do primeiro escalão do governo. Entre os seus clientes estão os presidentes do BB, Lafaiete Coutinho, e da CEF, Álvaro Mendonça. Os serviços da empresa da Ingrid Rocha Comunicações são contratados de forma indireta (FSP) (O Globo).